O conceito de deriva está ligado indissoluvelmente ao reconhecimento
de efeitos da natureza psicogeográfica, e à afirmação de um
comportamento lúdico-construtivo, o que se opõe em todos os aspectos às
noções clássicas de viagem e passeio.
Uma ou várias pessoas que se lançam à deriva renunciam, durante um
tempo mais ou menos longo, os motivos para deslocar-se ou atuar
normalmente em suas relações, trabalhos e entretenimentos próprios de
si, para deixar-se levar pelas solicitações do terreno e os encontros
que a ele corresponde. A parte aleatória é menos determinante do que se
crê: no ponto de vista da deriva, existe um relevo psicogeográfico nas
cidades, com correntes constantes, pontos fixos e multidões que fazem de
difícil acesso à saída de certas zonas.
É sempre interessante construir um mapa do percurso traçado, esse
mapa deve acompanhar anotações que irão indicar quais as motivações que
construiu determinado traçado. É pensar por que motivo dobramos à
direita e não seguimos retos, por que paramos em tal praça e não em
outra, quais as condições que nos levaram a descansar na margem esquerda
e não na direita... Em fim, pensar que determinadas zonas psíquicas nos
conduzem e nos trazem sentimentos agradáveis ou não.
Apesar de ser inúmeros os procedimentos de deriva, ela tem um fim
único, transformar o urbanismo, a arquitetura e a cidade. Construir um
espaço onde todos serão agentes construtores e a cidade será um total.
Essas idéias, formuladas pela Internacional Situacionista entre as décadas de 1950 e 1970,
levam em conta que o meio urbano em que vivemos é um potencializador da
situação de exploração vivida. Sendo assim torna-se necessário inverter
esta perspectiva, tornando a cidade um espaço para a libertação do ser
humano.
A deriva tem Guy Debord como um dos seus maiores entusiastas e estudiosos. Este autor formulou o início da Teoria da Deriva em 1958 e publicou na então Revista Internacional Situacionista.
fonte: AGB, Teoria da Deriva
Nenhum comentário:
Postar um comentário